segunda-feira, 17 de outubro de 2011

50 Questões sobre o ~ AMOR ~ IV

 

Quando se tem 90 anos
ainda é possível
amarmos um ao outro?

Marcel: Temos 80 e 90 anos e casamos em 1925. E continuamos a nos amar! Como isso é possível? Digo a vocês que é muito mais simples do que o que se pensa, tudo depende da nossa concepção de amor. Amar é ser feliz e fazer o outro feliz. Isto é quase egoísta! Assim os nossos próprios desejos, que poderiam ser um obstáculo à felicidade do outro, deixam de ser prioritários. Se só pensarmos na felicidade do outro, não há razão para que ela não dure.

Georgette: Claro que isso exige um certo esquecimento de si mesmo que nem sempre é fácil. Certas questões podem ser mesmo fonte de conflitos graves.
Em relação a nós, sabíamos, quando nos casamos, que estávamos de acordo sobre o essencial: a religião, o conceito de família, a educação dos filhos, os amigos, etc. Quando isto é assim, um grandePIC_2614 número de discussões são automaticamente evitadas.
Restam as pequenas dificuldades da vida quotidiana, que sempre podem ser resolvidas se temos verdadeiramente esse desejo.
Nesse campo a franqueza é essencial, é absolutamente necessário que se possa dizer tudo, partilhar sem demora aquilo que não vai bem, com o desejo de encontrar em conjunto uma verdade que satisfaça a ambos. O silêncio nunca é solução.

Marcel: Mas como é que podemos tornar o outro feliz? Perguntariam vocês. Também isso é muito simples. É preciso estar atento às pequenas coisas. Encontrar todas as ocasiões para manifestar ao outro a sua atenção. Respeitá-lo profundamente, pois a delicadeza é uma regra de base. E se lhe juntarmos uma razoável dose de bom humor, teremos aí uma receita infalível!
Como todo mundo, também passamos por provas. Não no seio do relacionamento homem/mulher, mas no próprio desenrolar da vida: uma primeira separação por razões profissionais - durante a qual nos escrevemos todos os dias - um problema de saúde, que imobilizou a minha mulher durante quatro meses após o nascimento do nosso terceiro filho, a guerra que nos separou duas vezes seguidas - e desta vez não houve correspondência, exceto dois pobres postais por mês - a liquidação judicial da minha empresa, etc. Mas no nosso caso, as dificuldades não ameaçaram a nossa união. Pelo contrário, uniram-nos ainda mais.

Georgette: Para nós uma das maiores fontes de unidade são os nossos filhos. Agora os netos e bisnetos. Porque constituem o mesmo alvo de preocupação e amor.

Marcel: Em 67 anos, claro que o nosso amor evolui. O que sentimos agora um pelo outro é diferente do encanto do nosso encontro, ou do amor apaixonado dos primeiros tempos do casamento. Mas isso não quer dizer que tenha diminuído. Pelo contrário, diria mesmo que se enriqueceu dia após dia com tudo o que vivemos, com todas as memórias comuns e este conhecimento muito profundo que temos um do outro.

Georgette: Éramos feitos um para o outro? Não sei se a expressão é correta. Acredito mais que nós nos fizemos um ao outro. Evoluímos juntos, um pela mão do outro.
Temos a grande sorte de ainda sermos vivos os dois e de não sofrermos de enfermidades muito graves. Eu já não vejo bem e o meu marido não ouve muito bem, mas como nos dizia um amigo recentemente, "vocês estão de tal forma unidos que já não precisam, para os dois, de mais que dois olhos e dois ouvidos".

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Enraizados e edificados em Cristo…

 

Rafael Nascimento–Jornada Mundial da Juventude 2011–Madri

50 Questões sobre o ~ AMOR ~ III

 

E as discussões...
E os conflitos?

   

          Que diriam vocês de um casal que não tivesse a menor discussão? Não perguntariam qual dos dois teria absorvido o outro?
          A diferença entre o homem e a mulher é de tal forma extraordinária, que permite, através de uma abordagem diferente das coisas, um enriquecimento mútuo, desde que percamos tempo escutando um ao outro e tentando nos compreender: troca de pontos de vista, discussões, às vezes sérias, mas que ajudam o amor a crescer para um maior conhecimento.

carre Claro que - e todos sabemos disto, mesmo os que não são casados - pode acontecer que alguém esteja de tal forma apegado às suas idéias e empenhado em as impor, que não esteja nada disponível para escutar o outro. É então que se dá mal! Nenhum assunto é tratado de forma profunda, sem que se acrescente umas pequenas sentenças irônicas ou de condenação... Porque todos esses comentários inofensivos ferem o outro, uma vez que eles não o respeitam. E nós vamos reagir segundo os nossos diferentes temperamentos: explodindo, fechando-nos no mutismo ou na amargura, contra-atacando.
O amor vai para a guerra... O medo e a desconfiança tentam tomar lugar.
Guardar no seu coração amargura ou rancores, ficar remoendo o seu desentendimento, eis o veneno para o amor.
A doença é grave, mas não é mortal...

carre[1] O tratamento? Decidir acabar com os maus sentimentos e por vezes parar com as interpretações da imaginação. "Eu quero tentar continuar a te amar", dizia uma menina à sua irmã caprichosa. Esta decisão de amar de novo, de reabrir o seu coração ao outro, de o acolher e de o aceitar tal como ele é, de o ver com um olhar novo, é o que chamamos perdão. Não é apagar o passado como se ele não tivesse existido, mas é, apesar do passado, recomeçar com uma esperança e uma força novas. "Peço-te perdão por todas as vezes em que não o fiz desde que nos casamos (ou seja, em 20 anos, nunca)". Foi como se nós tivéssemos nos casado de novo, contava a senhora, o nosso casamento reencontrou a vida.
Em todas as vidas, há conflitos. Pelo perdão, eles podem, em vez de matar o amor, contribuir para fazê-lo crescer.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

50 Questões sobre o ~ AMOR ~ II

Como podemos ter certeza que amamos alguém de verdade?

   

             A experiência mostra (por vezes dolorosamente) que nestes casos, nem sempre se consegue ver as coisas de uma forma muito clara. Em todo caso não é muito fácil estar seguro de si mesmo ou dos seus sentimentos, e apoiar-se em provas e sinais muito reais.

             Isto se explica pelo fato do amor não ser como uma ideia (definível) ou um fenômeno material (possível de medir), ele está dentro do "campo da escolha". E portanto, pegando uma frase de S. Boaventura: "A medida do amor - e o seu critério - é o amor". No entanto existem alguns critérios "práticos" (mas não exaustivos):

carre Será que eu amo o meu amigo(a), ou antes amo o amor que sinto por ele(ela)? Muitas vezes estamos de tal maneira admirados com o sentimento extraordinário que reveste o amor, que podemos deixar de dar atenção ao outro...

carre[1] Sendo assim, a pergunta não seria: "será que eu o(a) amo?", mas sim: "será que eu tenho o desejo de o(a) amar?" (uma vez que o amor não é um sentimento, mas mais uma decisão,  uma escolha, um "querer amar").

carre[2] Por fim, não esqueçamos que o amor é uma relação entre duas pessoas! Só se pode falar de amor se houver reciprocidade. O melhor meio de verificar se existe ou não, é fazer a pergunta (no momento certo e com tato!) àquele ou àquela que é o objeto das minhas ternas afeições.

#FICAADICA

terça-feira, 4 de outubro de 2011

50 Questões sobre o ~ AMOR ~

Amor Sempre...

Amar o que é?

   

          É incrível! Como viver sem ser amado? E sem amar? Mas cuidado com os enganos. O reflexo não é a luz, o espelho não é a face. A mulher da minha vida não é a mulher de um só instante. Contentar-se com pouco no amor, é não conhecer o amor.

          Entre as muitas formas de amar, há a amizade, o amor dos pais pelos filhos, o amor que conduz ao sacrifício por alguém. O amor exclusivo de uma mulher e de um homem que se unem pelo matrimônio. O amor que nos surpreende para o bem de uma causa grandiosa.

  • Para encontrar a verdade do amor entre um homem e uma mulher, é necessário refletir: o que é que nele, ou nela, exerce em mim esta atração?

- Será a utilidade ou os serviços que o outro pode me prestar?


- Será o prazer (qualquer que ele seja) que eu experimento quando estou com ele, e que nós podemos partilhar em conjunto?


- Serão os sentimentos que eu experimento em relação ao outro?

 

Uma relação fundada assim, como facilmente se percebe, seria imperfeita: o outro acabaria por ser reduzido a um objeto. Ele seria um meio para mim. Paradoxalmente, eu estou, com efeito, voltado para mim mesmo.

  • Amar verdadeiramente, é amar a outra pessoa por ela mesma. Um amor profundo é, em primeiro lugar, sentir-me de tal maneira atraído pelo outro que eu desejo a sua felicidade. Não o amo unicamente por causa daquilo que ele me dá, mas o amo em primeiro lugar por ser ele (ou ela). Com muito mais razão ainda, numa relação assim, as duas pessoas serão suscetíveis de experimentar sentimentos, prazer, ou de se prestarem serviços mutuamente. Mas o fundamento da relação é a própria pessoa, muito além das suas qualidades e defeitos aparentes.

  • Amar implica portanto da minha parte, uma escolha livre: é decidir amar o outro, voltar-me livremente de forma decidida em direção ao outro. Não se pode amar verdadeiramente sem uma certa doação da nossa liberdade ao outro. Supõe-se que essa decisão seja recíproca, pois aí está a condição da relação, uma vez que procurar a felicidade daquele ou daquela que me ama, é contribuir para a minha própria felicidade. O amor é assim: dom mútuo e livre.

Claro que nem sempre é assim tão fácil.

  • Nós estamos sujeitos às mudanças de humor, à rotina da vida quotidiana, às dificuldades que podem surgir, ao nosso egoísmo também. O amor é frágil... Será que eu ainda o vou amar daqui a 20 anos? Serei eu capaz de suportar este ou aquele defeito? Será o amor possível ao longo de toda a vida? Nas dificuldades, na doença?

  • Na realidade, se a nossa relação está enraizada numa decisão livre e recíproca, ela pode crescer. Porque o amor não é dar de uma vez por todas. Desconfiemos do "amor à primeira vista" que, mesmo sendo cheio de entusiasmo, não passa de uma emoção muito forte que não corresponde forçosamente a um amor profundo.

  • Se o amor é uma relação pessoal, então ele se constrói e se aprofunda com o tempo e numa confiança cada vez maior um no outro. Isto faz-se no diálogo, renova-se dia a dia através dos gestos e das atitudes que mostram ao outro o lugar privilegiado que ele ocupa na nossa vida. E os acontecimentos, as dificuldades e as alegrias partilhadas podem também contribuir para uma intimidade cada vez maior, na medida em que, acima das dificuldades, existe o fato de nos voltarmos um para o outro.

  • O amor não é portanto a simples fusão de duas pessoas, mas o dom mútuo de dois seres livres, com tudo o que eles são: corpo, coração e espírito, assim como o bem precioso que é a vida. A lógica do amor é aspirar a um dom definitivo. Só uma decisão recíproca e para o resto da vida, permite que o amor humano atinja um certo absoluto, podendo assim satisfazer o nosso coração.

  • Para o cristão, a fonte e o modelo de todo amor é Deus. Ele nos ama antes de nós sequer termos amado e Ele nos ama mesmo quando nós já não somos amados. Não será Ele esse "Bem Supremo", que nós procuramos?